quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Teaser | Videoclipe | "O Futuro Que Me Alcance" - Reynaldo Bessa

Depois de tanto trabalho, (milhares de) desenhos, horas criando, rabiscando e pensando, finalmente o lançamento do clipe "O Futuro que me alcance" do músico e cantos Reynaldo Bessa está no pertinho!

Estou dirigindo e animando o videoclipe para a belíssima canção, e agora tenho a alegria de anunciar que em dezembro de 2022 teremos o lançamento oficial! Enquanto ele não chega, deixo vocês com esse teaser lin-do <3




Música - Reynaldo Bessa | https://www.instagram.com/reynaldobessa/

Direção e Animação - Nat Grego | https://natgrego.com/ || https://www.instagram.com/nat.grego/

Produção Musical - Marcelo Abud | https://www.instagram.com/abudmarcelo/


quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Processos criativos na era touch

    Salve, pessoal! 

    Estou aqui hoje para falar sobre um vídeo que fiz há mais de um ano e que está publicado no meu canal do YouTube. Em 2021, durante a pandemia, resolvi alimentar o canal com um pouquinho dos meus processos criativos. As redes sociais dos artistas muitas vezes trazem a ideia de que o conteúdo que está lá apareceu magicamente no feed, sem esforços e sem todo um tempo de criação por trás daquela obra/imagem. Obviamente, todo ofício tem seus processos que demandam tempo, trabalho e geralmente esses processos são desconhecidos por quem não trabalha na área. No entanto, especialmente na era touch, onde a imagem reina, acho importantes que nós artistas da imagem pensemos sobre a instantaneidade da imagem nessas plataformas e quais percepções isso pode gerar em quem nos acompanha.

    Depois de um bate-papo com alguns ilustradores no Filexpandido, comecei a perceber que nós, artistas presentes nas redes sociais, também contribuímos para uma percepção limitada sobre o nosso ofício ao mostrar nas plataformas apenas a arte final (sem antes compartilhar os processos que nos fizeram chegar nela). É a tal da vida editada, onde só a parte atraente aparece, dispensando o cru, o que realmente faz a vida. Todo mundo sabe que esse cru nem sempre é bonito e que mostrar exige uma dose de desapego dos ideais que temos sobre nós mesmos. Desapego esse que estou tentando trabalhar.

    Pensando na criação de uma imagem artística, excluir os bastidores desses compartilhamentos em rede é também a exclusão do tempo que levamos para fazer aquele trabalho, do tempo que testamos opções, do tempo de estudo, exploração e aprendizado para chegar nos resultados que chegamos. Significa excluir os materiais que testamos inúmeras vezes até chegar no resultado que expressa nossa sensibilidade, excluir os erros, as frustrações e as ansiedades que vêm junto do processo criativo.

    Excluir o processo é excluir o contexto e a história que fez aquele trabalho ser possível. Acho que nesse sentido nós criadores temos uma responsabilidade: a de compartilhar a história daquela obra. Penso que essa é também uma forma de ressignificar o resultado final, descolando dele a ideia fantasiosa de instantaneidade (que hoje é a essência das imagens feitas por inteligências artificiais, cada vez mais comuns no meio virtual). Acho que as lives com artistas e relatos, por exemplo, fazem muito bem esse papel.

                                                       Speedpainting - YouTube | 2021

    O tempo e os recursos que empregamos para realizar uma obra agregam a ela valor, e em tempos de instantaneidade e aceleração do tempo percebido, esse valor merece ser enfatizado. Sei que o processo criativo não pode ser totalmente mostrado pois para isso seria necessário trazer cada pessoa para dentro do estúdio, do ateliê e até mesmo da mente do artista para mostrar o que se passa por lá enquanto ele cria. Sabemos que isso é impossível de capturar, já que estamos falando da experiência humana, no entanto, o que tenho me desafiado a fazer de agora em diante é mostrar um pouco mais dos bastidores na esperança de colaborar com essa percepção sobre o processo.

    Nesse vídeo que fiz para meu canal, gravei uma"Speedpaint": uma pintura em guache sobre papel que aparece em time-lapse, num tempo acelerado. O vídeo não dá uma exata dimensão do tempo que levei para fazer a arte (sem os cortes e a aceleração, o vídeo teria algumas horas), mas já dá uma ideia de processos para aquilo nascer. Gosto muito de acompanhar os processos de outros artistas: vendo como a mão deles se movimenta para chegar nas soluções, sinto que meu corpo também se mobiliza para criar. A mobilização para fazer, para criar, além de expressão talvez também seja uma forma de não alienação

    Espero que gostem do vídeo e, quem sabe, se mobilizem a pausar com esse pequeno fragmento de tempo.



    Abraços, 

    Nat

    9 de novembro de 2022

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Clipe "O Futuro que me alcance" | Making-of | Parte 1

    Salve, pessoal! Tudo bem?

    Atualmente estou animando o clipe da música "O Futuro Que Me Alcance" de Reynaldo Bessa. O CD, que também tem esse nome, foi lançado em 2021 e desde estão estou dirigindo e animado o videoclipe da canção.

    Hoje estamos a menos de um mês do lançamento oficial do clipe e estou muito empolgada com os resultados. Bessa e Marcelo Abud, produtor musical de Reynaldo, confiaram bastante no meu trabalho e me deram imensa liberdade e tempo para criar esse clipe. Logo escreverei mais sobre esse processo, mas por hora deixo aqui algumas imagens de concept art making-ofs, que antecipam um pouco do que lançaremos em dezembro de 2022. 

    Para acompanhar esse processo em tempo real, te convido a me acompanhar pelo Instagram @nat.grego (https://www.instagram.com/nat.grego/

1- Imagem de um concept art para a direção do clipe. Esses são alguns dos desenhos que criei usando nanquim sobre papel e que me ajudaram a encontrar o aspecto visual do clipe. (2021)




2 -  Animação em processo (2022)



3 -  Animação em processo (2022)

4 -  Animação em processo (2022)



Deixo aqui o link para a música no YouTube:

 O Futuro Que Me Alcance - YouTube




Em breve aparecerei por aqui com mais making-ofs e novidades.
Abraços,
Nat.

7 novembro 2022


domingo, 6 de novembro de 2022

Entre palavras e imagens, bastidores do tempo.

Desde quando eu era pequena desenhar é uma das atividades as quais mais dedico tempo: com 5 anos, lápis, papel e guache eram meus passatempos favoritos. Com 12 anos, criei um blog e passei dois anos escrevendo sobre moda, viagens, jogos, aplicativos e outras mil coisas que eu não conhecia o suficiente para escrever. Não foi em vão: descobri aí que eu amava brincar com as palavras. Quando chegou na época dos vestibulares, me deparei com muitas perguntas.

Jornalismo ou artes visuais? Escrever ou desenhar? Por algum tempo eu sofri com a ideia de que era preciso escolher o caminho da palavra ou o caminho da imagem. Como escolher uma coisa se isso significaria deixar outra que tanto amo de lado? Eis uma incorporação da tão conhecida dualidade ocidental. Pra minha sorte encontrei no cinema de animação um ótimo intermediário entre palavras e imagens. Forma e conteúdo poéticos cabem dentro do cinema e pra mim isso já bastava. Mas como isso aconteceu? Te conto...

Fotografia da Natalia pequenininha


Nunca fui cinéfila, sempre preferi os livros com imagens aos filmes. No entanto, a animação em stop motion entrou na minha vida acidentalmente quando eu estava escola. Eu precisava fazer um trabalho de sociologia no qual o conceito de "sociedade líquida" do sociólogo Zygmunt Bauman fosse explicado num formato audiovisual. Na experiência de pensar, roteirizar, fotografar, animar, editar e sonorizar, ocasionalmente descobri algo que eu amava fazer: animação. 

 Sempre gostei tanto do making of quanto do filme finalizado. Na verdade, muitos filmes eu gostava mais do making of  do que da obra final e essa experiência com animação apenas evidenciou minha inclinação. O mecanismo de criação manual me cativou, o apelo formal e estético também. Com esse trabalho da escola, descobri que estar nos bastidores de uma produção me alegrava muito, pois eu sentia que fazer uma animação era tão bom quanto assisti-la finalizada. Nesse trabalho eu podia recortar, costurar, modelar, fotografar, desenhar, escrever, pintar, colar, animar, editar e colocar várias habilidades à serviço de uma peça artística. Nessa época eu estava muito interessada pela biografia de Leonardo Da Vinci e a ideia de um artista multifacetado criando coisas tão diferentes e ao mesmo tempo tão coesas me inspirava demais.

Caracol, Nat Grego, 2020
Caracol | Fotografia | Nat Grego, 2020

Quando comecei a animar usando a técnica Stop Motion fui capturada por uma espécie de magia. Depois de tantas horas de trabalho duro, ver algo inanimado ganhando vida e sendo capaz de emocionar pessoas foi uma sensação indescritível. Eu queria mais disso e foi aí que resolvi cursar uma faculdade em São Paulo, na FAAP, que estava abrindo sua terceira turma de bacharelado em Cinema e Animação. Consegui uma bolsa por ter sido primeira colocada no vestibular e assim dei início à minha trajetória profissional costurando palavras e a imagens.

Hoje dedico horas de trabalho para fazer alguns segundos de animação ou para realizar a ilustração de um livro. É assim que funciona: é preciso tempo, paciência e espaço para experimentar, testar, estudar, arriscar e encontrar os caminhos de um projeto. 

Trabalho criando livros, criando ilustrações para as mais diferentes plataformas (revistas,TV, YouTube, podcasts, plataformas de streaming) e também animações (clipes de música, vinhetas de TV, propagandas e filmes). Nem sempre palavra e imagem andam lado-a-lado. Certos trabalhos são guiados pela palavra e a imagem acaba se submetendo a ela. Há também trabalhos nos quais a palavra inexiste, e a imagem comanda. Há alguns trabalhos - como nos livros ou em clipes de música - em que imagens e palavras buscam seu equilíbrio, e tenho um carinho especial quando essa relação se estabelece.

Nos trabalhos em que colaborei com outras pessoas (a maioria deles), nem sempre as palavras são de minha autoria. Trabalho com músicos, poetas, escritores, arqueólogos, professores e busco uma relação simbiótica na qual me aproprio de suas palavras para gerar imagens com novos significados que componham a totalidade da obra. Essa possibilidade de encontro da imagem com a palavra, onde eu ofereço as imagens, é também minha possibilidade de encontro e colaboração com outras pessoas. Trabalhar desse jeito também me deixa muito feliz. A co-autoria da palavra e da imagem para criar peças artísticas é uma das coisas que mais amo fazer e celebrar essa relação é algo que me sacia como artista.

Deixo aqui a animação "Sociedade Líquida" onde tudo começou.




Sigo por aí, espalhando palavras e imagens pelo mundo.

Abraços,

Nat Grego

7 novembro 2022





sábado, 5 de novembro de 2022

Retomando o blog!

  


Salve, querido leitor!

    Hoje tomei a decisão de retornar com o blog. Escrever sobre processos e ideias que passam pela minha mente sempre foi uma grande paixão. Nos últimos anos, com a faculdade e a produção de livros e animações, acabei deixando a escrita um pouco de lado, no entanto, em agosto desse ano (2022) iniciei minha pós-graduação na Casa Tombada com a pesquisa sobre o Livro para a Infância Contemporâneo. A pós-graduação e também os bate papos do Filexpandido reacenderam em mim o desejo de voltar a escrever a partir das minhas experiências e processos, e aqui estou eu retomando o blog e compartilhando com vocês o que se passa comigo.

    Sempre gostei muito de conhecer processos de outros artistas e saber o que estão pensando, discutindo e criando. Ver o making of sempre foi tão empolgante para mim quanto assistir ao filme e espero construir aqui um lugar de registro e compartilhamento de fazeres, ideias e inspirações. Gosto de ver esse blog como um diário de viagem! Uma viagem sem fim, com muitos caminhos por fazer, pessoas a conhecer e projetos para criar.

    Penso que diferentemente das redes sociais (como o Instagram, o qual atualmente sou grande adepta), esse blog é um espaço de maior permanência para decantar ideias, elaborar sentimentos e pensamentos e deixar o tempo correr solto. Espero que gostem de estar por aqui, assim como eu.

Um abraço,

Nat Grego



5 novembro 2022